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25 de novembro de 2014
O dia dela
Queria fazer uma pausa no tempo aqui hoje..
É, não quero permitir que todas as coisas e loucuras da semana sejam tão importantes que me impeçam de falar sobre você, sobre vocês. Sobre esse dia tão especial.
Faltam um pouco menos de 4 dias para o dia tão esperado, tão sonhado.. o grande dia, e ele será seu minha irmã, meu anjo mais velho, minha fortaleza, minha base e meu espelho de mulher.
É, eu tô morrendo de frio na barriga só de pensar em você, minha irmã, vivendo um momento tão lindo e cheio de emoções.
Ver você, assim, me enche de alegria. Se um dia eu for a metade da mulher que você se tornou, juro que serei muito feliz.
Não posso dizer que está sendo só alegre.. ver você partir, agora da forma mais concreta possível, dói muito. Mas não é simplesmente uma dor triste.
É pelo sentimento de perda, de distância, de cada uma de nós nos tornando adultas de vez. É ter que lidar mesmo com o fato de que você está partindo.. e que vai chegar a minha hora também.
E aaaah, que saudade que dá de cada momento que passamos juntas. Das mãos juntas nos momentos de dor e os pés cansados após uma balada.. de irmos de pijama no mc donalds de madrugada simplesmente por ter vontade, de gritarmos no túnel, das idas para Palestina, de ir para Barretos na festa do peão e voltar no mesmo dia. Meu aniversário de 15 anos, as festas, micaretas, as idas as praias repentinas.. quando fugíamos de casa.. quando a presença da outra era tudo o que tínhamos.
Quando nossa mãe estava com câncer, e íamos juntas visitá-la no hospital, tendo a certeza de que iríamos vencer tudo juntas, APESAR DE TUDO o que passamos.
Obrigada por tudo o que você já fez por mim, por toda doação, pelas brigas também. Por cada momento que eu passei com você. Sou eternamente grata pelo cuidado que você sempre teve por mim.. que na maioria das vezes a fez assumir responsabilidades que não lhe cabiam. E mesmo assim, você fez por amor.
Cada ato de loucura, cada momento de imensa responsabilidade.. tenho guardado dentro de mim pra sempre.
Agora você inicia uma nova família, a sua família. Segue seu caminho.. sua trilha da vida.
Mas me deixa tão feliz te ver assim, minha irmã. Espero que nosso companheirismo e parceria sempre possa permanecer, mesmo tendo que assumir papel de esposa, mãe.. Sinto isso de uma forma muito pura, que nossas famílias serão muito unidas, como sempre sonhamos.
Te desejo um caminho de felicidade e paz.
E eu sempre estarei aqui, sempre. Sempre pra você.
E que Deus seja sempre o laço de união de seu matrimônio e proteção da sua vida.
Meu anjo mais velho,
Eu te amo demais!
Com muito carinho,
Bi.
7 de novembro de 2014
Despotismo Ilustrado
La democracia debe guardarse de dos excesos: el espíritu de desigualdad, que la conduce a la aristocracia, y el espíritu de igualdad extrema, que la conduce al despotismo"- Montesquieu
Quando a luta, movimento chega ao final da linha e não há contas a fazer. Fadados ao clichê de que o poder vence. Sempre com este fardo, que para ser carregado exige tantos cuidados minuciosos e responsabilidade, mas custa a sofrer. E há quem diga, "vai continuar vencendo até que o mundo acabe.."
Decisão coletiva? Então vamos lá, tentar atingir o âmago da democracia, entendida como contraposta a todas as formas de governo autocrático, aquele exercido apenas por um sujeito ou por um pequeno grupo, com poderes absolutos e ilimitados. Regime autocrático, persiste em perpetuar, ser este lugar oculto e inacessível.
Quando você se vê sem ação, sozinha e derrotada pelo sistema que te rege.
Mas quem sou eu para dizer, afinal. Quem tentou acertar mas errou tantas e tantas vezes...
E não digo tudo isso pela corrida presidencial. Descrevo a realidade de quem luta pelas pequenas grandes mudanças, seja de onde você faz parte até ao Planalto Central. Quem tanto bate no peito e diz o quanto o medo deve ser irrelevante diante do bem comum não imagina a vala que lhe espera. E tem que calar, e tem que ouvir até a última palavra de quem está acima, afim de preservar o seu objetivo final, engasgando com cada palavra maldita que lhe entra pelos ouvidos.
E não digo tudo isso pela corrida presidencial. Descrevo a realidade de quem luta pelas pequenas grandes mudanças, seja de onde você faz parte até ao Planalto Central. Quem tanto bate no peito e diz o quanto o medo deve ser irrelevante diante do bem comum não imagina a vala que lhe espera. E tem que calar, e tem que ouvir até a última palavra de quem está acima, afim de preservar o seu objetivo final, engasgando com cada palavra maldita que lhe entra pelos ouvidos.
Mas você acredita, e continua acreditando. Sem uma grande explicação e definições várias. Acredita porque é isso e ponto final, acredita inclusive que crer nisso não merece um mínimo de questionamento. Porque o certo é certo, e não há como ser meio certo, ou meio errado. Quando você luta e acredita piamente, fica feliz por cada pétala vista, pequena flor colhida e cada semente pequenina plantada. Quanta energia emanada de dentro, só Deus sabe de onde tudo isso vem.
Discurso de Atena
"Ouvi agora o que estabeleço, cidadãos de Atenas, que julgais a primeira causa de sangue. Doravante o povo do Egeu conservará este Conselho de Juízes, sempre renovado, nesta colina de Ares. Nem anarquia, nem despotismo, esta é a norma que a meus cidadãos aconselho observarem com respeito. Se respeitardes, como convém, esta augusta instituição, tereis Nela baluarte para o país, salvação para a cidade. Incorruptível, Venerável, inflexível, tal é o tribunal, que aqui instituo para vigiar. Sempre acordado, sobre a cidade que dorme".
24 de outubro de 2014
E tudo mudará para sempre
Mude sempre.
por Joris Marengo
Mude tudo sempre.
Mude a cor do seu cabelo. Mude o corte, também.
Mude o lugar dos móveis da casa. Mude de casa também.
Mude o trajeto que você faz para ir ao colégio. O do trabalho também.
Mude o sabor do sanduíche predileto. E do sorvete também.
Coma menos carne e mais manga. Menos refrigerante e mais água mineral.
Com gás.Mude o estilo da roupa. Use mais branco. E mais vermelho também.
Mude.
Mude sempre.
Mude seus sentimentos em relação aos amigos. E aos inimigos também.
Mude seus cuidados com a pessoa amada. E por quem lhe ama também.
Mude sua generosidade pelos que pedem. E mais tolerância com quem se doa a você. Mude sua visão do trabalho e com quem você reparte 1/3 de toda a sua vida.
Mude sua visão da morte, da eternidade e do medo de morrer.
Não culpe nunca ninguém pelo lhe acontece.
Nem Deus, nem o diabo nem a sorte.
Mude sua visão da responsabilidade. Você é o único responsável. Cuide mais dos amigos, do seu pai e da sua mãe também.
Tenha um cachorro ou um gato. Com o nome bem pequeno.
Jogue fora o guarda-chuva. E a ansiedade também.
Às vezes fique só. Gente, o tempo todo, cansa.
E principalmente,
Mude os cuidados com o seu corpo. Ele é o seu primeiro e único verdadeiro patrimônio.
Sem ele você não muda. Nada.
É no corpo onde habitam todos os verdadeiros desafios.
Ele é todo o seu território no qual são feitas as mudanças.
Então dê uma chance verdadeira a ele.
Mude-o todos os dias.
Respire mais, flexibilize-o mais, torça-o, distenda-o e finalmente relaxe-o.
Depois medite.
E tudo mudará para sempre.
Mude a cor do seu cabelo. Mude o corte, também.
Mude o lugar dos móveis da casa. Mude de casa também.
Mude o trajeto que você faz para ir ao colégio. O do trabalho também.
Mude o sabor do sanduíche predileto. E do sorvete também.
Coma menos carne e mais manga. Menos refrigerante e mais água mineral.
Com gás.Mude o estilo da roupa. Use mais branco. E mais vermelho também.
Mude.
Mude sempre.
Mude seus sentimentos em relação aos amigos. E aos inimigos também.
Mude seus cuidados com a pessoa amada. E por quem lhe ama também.
Mude sua generosidade pelos que pedem. E mais tolerância com quem se doa a você. Mude sua visão do trabalho e com quem você reparte 1/3 de toda a sua vida.
Mude sua visão da morte, da eternidade e do medo de morrer.
Não culpe nunca ninguém pelo lhe acontece.
Nem Deus, nem o diabo nem a sorte.
Mude sua visão da responsabilidade. Você é o único responsável. Cuide mais dos amigos, do seu pai e da sua mãe também.
Tenha um cachorro ou um gato. Com o nome bem pequeno.
Jogue fora o guarda-chuva. E a ansiedade também.
Às vezes fique só. Gente, o tempo todo, cansa.
E principalmente,
Mude os cuidados com o seu corpo. Ele é o seu primeiro e único verdadeiro patrimônio.
Sem ele você não muda. Nada.
É no corpo onde habitam todos os verdadeiros desafios.
Ele é todo o seu território no qual são feitas as mudanças.
Então dê uma chance verdadeira a ele.
Mude-o todos os dias.
Respire mais, flexibilize-o mais, torça-o, distenda-o e finalmente relaxe-o.
Depois medite.
E tudo mudará para sempre.
19 de setembro de 2014
Sintaxe à vontade

Todo sujeito é livre para conjugar o verbo que quiser
Todo verbo é livre para ser direto ou indireto
Nenhum predicado será prejudicado
Nem tampouco a frase, nem a crase nem a vírgula e ponto final!
Afinal, a má gramática da vida nos põe entre pausas, entre vírgulas
E estar entre vírgulas é aposto
E eu aposto o oposto que vou cativar a todos
Sendo apenas um sujeito simples
Um sujeito e sua oração
Sua pressa e sua prece
Que a regência da paz sirva a todos nós...
Cegos ou não
Que enxerguemos o fato
De termos acessórios para nossa oração
Separados ou adjuntos, nominais ou não
Façamos parte do contexto da crônica
E de todas as capas de edição especial
Sejamos também o anúncio da contra-capa
Mas ser a capa e ser contra-capa
É a beleza da contradição
É negar a si mesmo
E negar a si mesmo
É muitas vezes, encontrar-se com Deus.
Sintaxe à vontade, O Teatro Mágico
17 de setembro de 2014
E que a minha loucura seja perdoada
Que a força do medo que tenho
Não me impeça de ver o que anseio;
Que a morte de tudo em que acredito
Não me tape os ouvidos e a boca;
Porque metade de mim é o que eu grito,
Mas a outra metade é silêncio...
Que a música que eu ouço ao longe
Seja linda, ainda que tristeza;
Que a mulher que eu amo seja pra sempre amada
Mesmo que distante;
Porque metade de mim é partida
Mas a outra metade é saudade...
Que as palavras que eu falo
Não sejam ouvidas como prece
E nem repetidas com fervor,
Apenas respeitadas como a única coisa que resta
A um homem inundado de sentimentos;
Porque metade de mim é o que ouço
Mas a outra metade é o que calo...
Que essa minha vontade de ir embora
Se transforme na calma e na paz que eu mereço;
E que essa tensão que me corrói por dentro
Seja um dia recompensada;
Porque metade de mim é o que penso
Mas a outra metade é um vulcão...
Que o medo da solidão se afaste
E que o convívio comigo mesmo
Se torne ao menos suportável;
Que o espelho reflita em meu rosto
Um doce sorriso que me lembro ter dado na infância;
Porque metade de mim é a lembrança do que fui,
A outra metade eu não sei...
Que não seja preciso mais do que uma simples alegria
para me fazer aquietar o espírito
E que o teu silêncio me fale cada vez mais;
Porque metade de mim é abrigo
Mas a outra metade é cansaço...
Que a arte nos aponte uma resposta
Mesmo que ela não saiba
E que ninguém a tente complicar
Porque é preciso simplicidade para faze-la florescer;
Porque metade de mim é platéia
E a outra metade é canção...
E que a minha loucura seja perdoada
Porque metade de mim é amor
E a outra metade... também.
(Metade, Oswaldo Montenegro)
15 de setembro de 2014
Ver o mundo em um grão de areia
Transcrevo
aqui um texto meu, antigo apenas de data, porque continua descrevendo
com uma certa delicadeza e fatalidade o misto de sentimentos que andam
me rodeando... Rodeando tanto que as vezes preciso sentir a sobriedade do chão firme sob os pés para não cair.
Os
pensamentos que preferem calar e mesmo assim, permanecerem inquietos. O que contorna todo meu corpo, as vezes luta para sair mas não consegue, causando estranhamento por não conseguir... talvez seja cedo demais para isto.O que continuo sentindo e o sentido do que é confiança e doação para mim, fio forte que mantêm e une uma relação. Fio que... quando é ameaçado tira o chão dos meus pés.
Quando minha consciência se depara com a ameaçadora constatação de que a vida é uma bomba relógio que pode estourar a qualquer momento e girar a sua vida inteira 360 graus. Ameaçando de fato a integridade de tudo aquilo que faz parte de você...
Não que eu não soubesse disso antes, como se fosse algo desconhecido, ou me deparado com uma tremenda decepção em relação a vida.. O que muda é que agora é dolorosamente mais real.
"Ouvi dizer bem baixinho no pé do ouvido que a saudade tem sono leve. Basta um movimento seu para que ela desperte. A verdadeira paz só pode ser dada por quem a criou, sei o caminho que ela percorre para chegar aonde tem que chegar, sei sua origem: o coração de Deus. Permiti que o meu coração fizesse a experiência dessa tranquilidade na alma, dessa plenitude. Matei uma saudade, que eu não imaginava que estava tão grande, tão esquecida, tão distante, mas tão dentro de mim. Lembrei das minhas sapatilhas, da dança, das dores nos pés. Eram quase tudo o que eu tinha naquela época. Me lembrei das músicas e das pessoas que já dancei. Cheguei mais perto da minha alma, daquilo que ela sente e do que quer me dizer, pois vi o quanto a música me construiu, me fez amar, o quanto ocupa minha história. Mesmo ferida me lancei ao vôo, então a sensação desagradável foi aliviada naquele tempo. Meu coração transbordou pelo corpo, simplesmente deixei meu corpo transmitir aquilo que a alma quis através do som, da música, da letra, do ritmo, do gesto, do toque no outro. Uma valsa, uma salsa, um samba entre o meu sentimento, e o sentimento do outro, unidos pela expressão, pela arte, pelos dons. Conheci mais a fundo o coração e a essência de uma amiga, que partilhou a experiência comigo no movimento. O arrepio na pele demonstrou o quanto meu coração gosta de sorrir e que tem um desejo ardente de reconstrução. Quero me abraçar, me sentir mais perto de mim mesma, me descobrir, me amar. Vontade de dizer que tenho muito amor no peito, e que minha doação não é parcial, é radical. É tudo, ou é nada. Há coisas nessa vida que é difícil de engolir, há ferida que arde e custa muito a sarar. Há cicatriz que incomoda. Há incômodo que não deixa nosso estômago em paz e há caminho que nem sempre tem volta. O que mais quero dizer, na verdade sobre tudo o que senti, é que estou podando o meu jardim. É, estou cuidando das flores que eu mais amo, que tem uma raiz profunda no meu jardim, tocando em alguns espinhos. Está doendo, sangrando muito, bem lá dentro, no meu âmago. Mas é preciso, pois quero mantê-lo vivo para sempre dentro de mim."
“In the universe, there are things that are known, and things that are unknown, and in between, there are doors.” (William Blake)
"Quem faz um poema abre uma janela.
Respira, tu que estás numa cela. Abafada, esse ar que entra por ela.
Por isso é que os poemas têm ritmo.
– para que possas profundamente respirar.
Quem faz um poema salva um afogado."
(Mário Quintana)
27 de agosto de 2014
É madrugada!
É madrugada agora. Tô acordada há horas pensando nesse dia, com a sensação estranha de inutilidade, um dia que me parece não ter feito nada. Mas é uma injustiça comigo mesma, fiz de tudo o que pude, corri contra o tempo, engoli a comida, subi e desci escadas diversas vezes, no hospital, na faculdade. Um dia extremamente desgastante, se é que me entende. Eu acredito que possa entender. Depois de um dia daqueles, em que houve um emaranhado de palavras ditas e não ditas. E estou aqui, há horas sem conseguir dormir mesmo meu corpo implorando e precisando disso.
Como se cada ato ou olhar não compreendido refletisse em mim de uma forma gigantesca, porque reflete de fato. Como se eu estivesse amarrada pela verdade como uma âncora, ancorada num mar sem fundo. Assim foi hoje e acho que, muito provavelmente, continuará sendo amanhã também. E sabe de uma coisa muito louca e sem sentido? Desejo muito que continue exatamente assim. Sempre.
De um modo sutil, e de muito valor para mim, quero
entender minhas angústias, estou tentando revelar a minha mente sentidos que permeiam
nossa existência humana e éticas/profissionais, o que tem me angustiado demais ultimamente, mesmo sem diploma na mão. Tentei enxergar quem eu sou no espaço que eu ocupo. E é por tentar buscar isso, pensar muito nisso, que eu escrevo.
Às vezes, quase sempre, sinto um aperto no peito. Aperto que vem para dizer, falar e insistir nas certezas que duvido, o que eu já tô cansada de saber, mas que ainda não se concretizou por inteiro dentro de mim. É.. às vezes, quase sempre, fico cansada de saber.
"Então ela pede — Silêncio, por favor, enquanto esqueço um pouco a dor do peito —, tentando digerir a dor barulhenta que a atravessa. Ela tenta deixar o tempo passar para não se lembrar do que a deixou assim, tentando buscar uma pausa no espaço, algo que interrompa o tempo, fique lá esquecida, e não fique entrelaçada com ela. Ela até sonha que está fazendo isso de fato, sonha que está conseguindo deixar em uma pequena estrela na imensidão do universo. E então ela se lembra que o que a move não permite que ela se torne um misto de esquecimentos, de palavras que escondem o que sente, mas de coisas concretas e que constroem. Faz uma prece por uma amiga, irmã de alma, que passa por um momento MUITO delicado. Sofre muito com isso também. Queria poder fazer mais.
Ela está correndo atrás de muitos sonhos, principalmente o de ser livre. Essa é a esperança que a move. E ela sente no rosto o vento que entra pela janela, tocando leve, soprando no seu ouvido que ela pode continuar caminhando, ajudando-a enxergar e discernir quais direções existem nessa estrada."
25 de agosto de 2014
Lógica singular e inflexível
❝ Realmente, quando se observa a vida no seu
crisol de dor e de prazeres, não é possível cobrir o rosto com uma
máscara de vidro nem impedir que os vapores sulfurosos nos ofusquem o
cérebro e nos turvem a imaginação com fantasias monstruosas e sonhos
disformes. Há venenos tão sutis que, para os conhecer, cumpre
experimentá-los. Há males tão estranhos que, pra lhes entender a
natureza, é preciso contraí-los. Ainda assim, que grande recompensa
recebe o observador! Em que maravilha se torna o mundo aos seus olhos!
Notar a lógica singular e inflexível da paixão, a vida colorida e
emotiva da inteligência…verificar onde se cruzam e onde se apartam, que
delícia! Que importava o custo? Não há preço demasiado alto para
semelhante sensação. ❞ — Oscar Wilde.
22 de agosto de 2014
El amor se mide en suspiros
Tinha suspirado
Tinha beijado o papel devotamente
Era a primeira vez que lhe escreviam aquelas sentimentalidades
E o seu orgulho dilatava-se ao calor amoroso que saia delas
Como um corpo ressequido
Tinha beijado o papel devotamente
Era a primeira vez que lhe escreviam aquelas sentimentalidades
E o seu orgulho dilatava-se ao calor amoroso que saia delas
Como um corpo ressequido
Que se estira num banho tépido
Sentia um acréscimo de estima por si mesma!
E parecia-lhe que entrava enfim numa existência
superiormente interessante
Onde cada hora tinha seu intuito diferente
Cada passo conduzia um êxtase
Sentia um acréscimo de estima por si mesma!
E parecia-lhe que entrava enfim numa existência
superiormente interessante
Onde cada hora tinha seu intuito diferente
Cada passo conduzia um êxtase
E a alma se cobria de um luxo radioso de sensações
Ergueu-se de um salto
Ergueu-se de um salto
Passou rapidamente um roupão
Veio
levantar os transparentes da janela
Que linda manhã!
Era um daqueles dias do
fim de agosto
Em que o estio faz uma pausa
Há prematuramente, no calor e na
luz, uma certa tranqüilidade outonal
O sol cai largo, resplandecente, mas
pousa de leve
O ar não tem o embaciado canicular
E o azul muito alto reluz
com uma nitidez lavada
Respira-se mais livremente
E já se não vê na gente que
passa o abatimento mole da calma enfraquecedora
Veio-lhe uma alegria:
sentia-se ligeira, tinha dormido a noite de um sono são, contínuo
E todas as
agitações, as impaciências dos dias passados pareciam ter-se dissipado naquele
repouso
(Eça de Queiroz, O primo Basílio)
21 de agosto de 2014
19 de agosto de 2014
Crisálida
Musa Consolatrix
Murchem a flor das ilusões da vida,
Musa consoladora,
É no teu seio amigo e sossegado
Que o poeta respira o suave sono.
Não há, não há contigo,
Nem dor aguda, nem sombrios ermos;
Da tua voz os namorados cantos
Enchem, povoam tudo
Da íntima paz de vida e de conforto.
Ante esta voz que as dores adormece,
E muda o agudo espinho em flor cheirosa,
Que vales tu, desilusão dos homens?
Tu que podes, ó tempo?
A alma triste do poeta sobrenada
À enchente das angústias,
E, afrontando o rugido da tormenta,
Passa cantando, alcíone divina.
Musa consoladora,
Quando da minha fronte da mancebo
A última ilusão cair, bem como
Folha amarela e seca
Que ao chão atira a viração do outono,
Ah! no teu seio amigo
Acolhe-me, - e haverá minha alma aflita,
Em vez de algumas ilusões que teve,
A paz, o último bem, último e puro!
(Machado de Assis, Crisálidas.)
15 de agosto de 2014
14 de agosto de 2014
A Chave Dourada de Gabi
(Charles
Lutwidge Dodgson, Alice no País das Maravilhas)
Aqui se concretiza o velho desejo de
que nascesse um espaço para transcrever tudo o que é meu. O significado da
chave, aqui, não é trancar ou de tornar secreto. Mostra a minha verdadeira e
imensa paixão por esta história cheia de significados, que demandam de uma
busca laboriosa por encontrar o sentido de cada palavra escrita. Quero esmiuçar
o sentido da chave e a razão de criar este espaço. Porque ela é tempo, sentido
e por vezes, em sua maioria na verdade, impenetrável à razão. Sobretudo, é com
a ação das mãos sobre ela que acontece o encontro de minúsculos fragmentos, o
encontro de duas coisas concretas. Encontro que encaixa, abre e liberta.
Este
é pequenino, é o início.
Toda vez
que vier aqui é porque estou insatisfeita com o silêncio dos meus dedos, é
porque preciso abrir a porta e transpassar o que há dentro. Quero que a minha
vinda aqui seja sempre vivendo o “meraki”, uma palavra grega que significa:
fazer algo com amor e criatividade, pondo alma nisso.
É
isso. Quero colocar aqui um pouco do meu tempo, o que penso. Quero deixar aqui
um pedaço do que sinto. E se sinto, é meu. O que escrevo, sou eu.
E assim, começa a idiossincrasia da busca
por este encontro entre a pequenina chave dourada e a sua, tão sua fechadura.
“Compreende a vida porque não é
suficientemente inteligente para não compreendê-la. Desejava ainda mais:
renascer sempre, cortar tudo o que aprendera, o que vira, e inaugurar-se em um
terreno novo onde todo pequeno ato tivesse significado, onde o ar fosse
respirado como da primeira vez."
(Clarice Lispector, As palavras)
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