(Charles
Lutwidge Dodgson, Alice no País das Maravilhas)
Aqui se concretiza o velho desejo de
que nascesse um espaço para transcrever tudo o que é meu. O significado da
chave, aqui, não é trancar ou de tornar secreto. Mostra a minha verdadeira e
imensa paixão por esta história cheia de significados, que demandam de uma
busca laboriosa por encontrar o sentido de cada palavra escrita. Quero esmiuçar
o sentido da chave e a razão de criar este espaço. Porque ela é tempo, sentido
e por vezes, em sua maioria na verdade, impenetrável à razão. Sobretudo, é com
a ação das mãos sobre ela que acontece o encontro de minúsculos fragmentos, o
encontro de duas coisas concretas. Encontro que encaixa, abre e liberta.
Este
é pequenino, é o início.
Toda vez
que vier aqui é porque estou insatisfeita com o silêncio dos meus dedos, é
porque preciso abrir a porta e transpassar o que há dentro. Quero que a minha
vinda aqui seja sempre vivendo o “meraki”, uma palavra grega que significa:
fazer algo com amor e criatividade, pondo alma nisso.
É
isso. Quero colocar aqui um pouco do meu tempo, o que penso. Quero deixar aqui
um pedaço do que sinto. E se sinto, é meu. O que escrevo, sou eu.
E assim, começa a idiossincrasia da busca
por este encontro entre a pequenina chave dourada e a sua, tão sua fechadura.
“Compreende a vida porque não é
suficientemente inteligente para não compreendê-la. Desejava ainda mais:
renascer sempre, cortar tudo o que aprendera, o que vira, e inaugurar-se em um
terreno novo onde todo pequeno ato tivesse significado, onde o ar fosse
respirado como da primeira vez."
(Clarice Lispector, As palavras)

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