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14 de agosto de 2014

A Chave Dourada de Gabi


 
De repente, encontrou uma pequena mesa de três pés, toda feita em vidro sólido: não havia nada sobre ela senão uma minúscula chave dourada e a primeira ideia de Alice foi de que ela deveria pertencer a uma das portas da sala; "Mas, ai de mim! Ou as fechaduras são muito grandes ou a chave muito pequena, mas de qualquer maneira não iria abrir nenhuma das portas." Entretanto, na segunda tentativa, Alice encontrou uma cortina que não havia percebido antes, e atrás dela existia uma pequena porta de aproximadamente 40 centímetros: a menina colocou a pequena chave dourada na fechadura e, para seu grande prazer, ela encaixou!
(Charles Lutwidge Dodgson, Alice no País das Maravilhas)

Aqui se concretiza o velho desejo de que nascesse um espaço para transcrever tudo o que é meu. O significado da chave, aqui, não é trancar ou de tornar secreto. Mostra a minha verdadeira e imensa paixão por esta história cheia de significados, que demandam de uma busca laboriosa por encontrar o sentido de cada palavra escrita. Quero esmiuçar o sentido da chave e a razão de criar este espaço. Porque ela é tempo, sentido e por vezes, em sua maioria na verdade, impenetrável à razão. Sobretudo, é com a ação das mãos sobre ela que acontece o encontro de minúsculos fragmentos, o encontro de duas coisas concretas. Encontro que encaixa, abre e liberta.
Este é pequenino, é o início.

Toda vez que vier aqui é porque estou insatisfeita com o silêncio dos meus dedos, é porque preciso abrir a porta e transpassar o que há dentro. Quero que a minha vinda aqui seja sempre vivendo o “meraki”, uma palavra grega que significa: fazer algo com amor e criatividade, pondo alma nisso. 
 
É isso. Quero colocar aqui um pouco do meu tempo, o que penso. Quero deixar aqui um pedaço do que sinto. E se sinto, é meu. O que escrevo, sou eu.

E assim, começa a idiossincrasia da busca por este encontro entre a pequenina chave dourada e a sua, tão sua fechadura.

“Compreende a vida porque não é suficientemente inteligente para não compreendê-la. Desejava ainda mais: renascer sempre, cortar tudo o que aprendera, o que vira, e inaugurar-se em um terreno novo onde todo pequeno ato tivesse significado, onde o ar fosse respirado como da primeira vez."
(Clarice Lispector, As palavras)

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