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22 de agosto de 2014

El amor se mide en suspiros



Tinha suspirado
Tinha beijado o papel devotamente
Era a primeira vez que lhe escreviam aquelas sentimentalidades
E o seu orgulho dilatava-se ao calor amoroso que saia delas
Como um corpo ressequido 
Que se estira num banho tépido
Sentia um acréscimo de estima por si mesma!
E parecia-lhe que entrava enfim numa existência
superiormente interessante
Onde cada hora tinha seu intuito diferente
Cada passo conduzia um êxtase
E a alma se cobria de um luxo radioso de sensações
Ergueu-se de um salto
Passou rapidamente um roupão
Veio levantar os transparentes da janela
Que linda manhã! 
Era um daqueles dias do fim de agosto 
Em que o estio faz uma pausa
Há prematuramente, no calor e na luz, uma certa tranqüilidade outonal
O sol cai largo, resplandecente, mas pousa de leve
O ar não tem o embaciado canicular
E o azul muito alto reluz com uma nitidez lavada
Respira-se mais livremente
E já se não vê na gente que passa o abatimento mole da calma enfraquecedora
Veio-lhe uma alegria: sentia-se ligeira, tinha dormido a noite de um sono são, contínuo
E todas as agitações, as impaciências dos dias passados pareciam ter-se dissipado naquele repouso 

(Eça de Queiroz, O primo Basílio)

Para prosseguir, para não me perder, para não deixar as frestas do decidir da mente inquietas com a perigosa constatação de que o tempo é quem tem mandado em mim. Deixo aqui o que me inspira também, as "iluminuras" que iniciam aquilo que eu construo. E que o desconhecimento da certeza continuem a me envolver.




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