.

.

9 de novembro de 2015

Motivo

Eu canto porque o instante existe
e a minha vida está completa.
Não sou alegre nem sou triste:
sou poeta.
Irmão das coisas fugidias,
não sinto gozo nem tormento.
Atravesso noites e dias
no vento.
Se desmorono ou se edifico,
se permaneço ou me desfaço,
— não sei, não sei. Não sei se fico
ou passo.
Sei que canto. E a canção é tudo.
Tem sangue eterno a asa ritmada.
E um dia sei que estarei mudo:
— mais nada.

51 anos sem ..
Cecília Meireles. 


2 de junho de 2015

O quão perto você já esteve de alguém?



Você já se perguntou alguma vez na vida o quão próximo já pode chegar de alguma pessoa?
Esse "chegar" que digo significa enxergar de fato o que há dentro do outro, acessar o outro totalmente.
Sem fragmentações ou pedaços escurinhos, misteriosos demais para serem desvendados. Sem talvez.
Você já se questionou ou mesmo já pode notar o quanto o amor se manifesta de maneiras inusitadas?




E o contrário?
Você já se perguntou se alguma pessoa pôde estar tão próxima de você? Você já sentiu isso, ou já se sentiu assim?
Quem te cerca ou quem te conhece de fato reconhece sem esforços suas expressões e até mesmo as entrelinhas de sua boca calada?


E mutuamente?
Você já se perguntou se a pessoa que você conhece (ou acredita conhecer) tem o mesmo acesso a você?



É, muitos poderiam dizer que sim sem ao menos entender o quão profundo é esse "conhecer", essa construção tão singular e única no mundo.
Muitos também podem acreditar que não, e para todas as respostas restar a solidão.
Outros diriam meio sim ou meio não.  Conhece mas não é conhecido..
Outros sem entender o porquê, diriam que sim de peito aberto. Sem precisar ser reconhecido, sem precisar ser dito e manifesto diretamente ao outro.  Diriam que o amor permanecerá inquieto para sempre, mesmo calado, mesmo não reconhecido.

E eu?
Diria que para mim é fatal.
Não consigo me ver viva sem encontrar este sentido.
Vital talvez seja uma palavra melhor, talvez muito melhor.
Amor é simples, complexo e bagunça a vida!
E com bagunça é o melhor jeito de levar a vida.






"Oh love let me see inside your heart
All the cracks and broken heart
The shadows in the light
There’s no need to hide
Cause I’m on fire like a thousand sun"  
(Ross Copperman, Hunger)

22 de abril de 2015

Um ensaio sobre o futuro




Tava aqui pensando com a minha caixola em tudo que tenho sentido ultimamente em relação as pessoas que tenho algum tipo de laço.
Talvez tenha pensado muito mais no que elas despertam em mim. Por mais que tenhamos um sentimento natural e que nasce sem uma explicação certeira sobre a sua existência, muito do que damos de nós é gerado pelo o que o outro causa em nós.
E caraca, o quanto isso influencia no nosso tic-tac da vida. O impacto das pessoas sobre na nossa vida podem gerar em nós movimento ou paralisia. Mas sempre depende de nós, é claro. Desde que estejamos empoderados de nós mesmos..

Confuso, não sei. E não tem começo, meio e fim mesmo..
Só sei que tô pensando bastante nisso. E que a minha felicidade tá em jogo. Tô intrigada pelo quanto isso tem me consumido, afinal de contas, se há algo tão resolvido dentro de mim, porque tanta angústia?



Parei para pensar-respirar, para deixar as coisas mais leves.
Uma vez um alguém desconhecido me disse "Menina moça, a vida não pode ser encarada da forma mais pesada! Encare-a da forma mais leve que puder, pois o peso da própria existência basta.."
E então, parei para pensar que nada nessa vida é definitivo. Nada aqui dessa Terra, eu digo.
Tudo se transforma ou se modifica de algum jeito. Nada hoje será como já foi um dia, mesmo que você queira ou que dentro de você permaneça um grande resquício daquele velho sentimento.
É, minha cara. As coisas, inclusive, podem até desaparecer. E encarar isso de frente é de fato muito duro. É muito duro para quem encara a vida com tanta verdade.
É, minha cara. Um dia, o que já te encantou pode sim perder o encanto. Ou o encanto é que se perdeu por qualquer canto que você descuidou por aí.


A parada nos faz olhar o que foi feito, o que foi dito, o que foi prometido, o que foi vivido e o que permaneceu.
O que viveu até hoje? E então percebemos que nada hoje é como era antes.
E então você passa a compreender o significado de passagem. Inclusive o fio da vida, que não é definitiva aqui na Terra e, muito menos, está sob o total domínio de nossas mãos.
Quando isto acontece, quando descobrimos  que nada é absolutamente definitivo, muito menos o tic-tac do seu relógio, passamos a compreender que a errância faz parte desse nosso lado tão humano.
Que o orgulho é inútil, as disputas são tolas, a ganância é estupidamente solitária, a arrogância é egoísta e as mágoas às vezes podem ser incoerentes.




Nessa vida que Deus nos deu,
Ser intolerante com tudo não nos leva a nada.
Desperdiçá-la, essa "tão intolerância" é sim ganhar muito..

Para que o futuro venha é preciso arriscar-se.
É preciso lançar-se ao desconhecido.
É preciso perdoar-se.



8 de abril de 2015

Dias nublados


Sabe aquelas manhãs que insistem em não despertar completamente?
Aquelas nubladas, fechadas por nuvens acomodadas no céu.
Parecem tão geladas e com uma beleza adocicada.
Ao nossos olhos tão humanos, nos indicam um horizonte completamente branco.


Aquelas manhãs... em que a própria natureza permanece aquietada, para manter seu equilíbrio energético. Para não perder, garantir suas reservas, caso venham mais dias assim...
Mesmo parecendo estar em uma fenda no espaço, onde o tempo não passa,  vejo tamanha beleza em dias nublados. Vejo vida, cor e cheiro.



Já notou como fica o tom das folhas das árvores em dias nublados? Como precisamos nos atentar a nossa estrada, a nossa vida, do que ao próprio céu? Como precisamos olhar para nós mesmos.. como precisamos no retirar..
O silêncio interrompido pelo som da chuva, e a harmonia dos pequenos sons? Já reparou em como fica mais gostoso viajar, olhar a estrada, em dias nublados? 




Já reparou que dias assim podem nos aproximar mais das pessoas que a gente ama muito? Sem contar o aconchego do lar, passar o dia de pijamas e meias grandes, ou até mesmo vestir-se daquele casaco quentinho que estava ali no seu guarda-roupa desarrumado pelas manhãs de sol, aguardando dias nublados para apreciar uma boa culinária e um bom vinho Malbec. Dias nublados, café quentinho, cama desarrumada, cobertas quentinhas e a companhia de um bom livro.

Vejo tanta beleza, no que não é óbvio, na falta de exatidão na clareza das ideias. 
Vejo belas cores em dias que parecem sépia.

Sinto muita beleza em dias nublados...
Simples assim. O dia está nublado, horas.
Porque precisamos do calor do outro...
E tô sentindo falta de mais dias assim.



A natureza se prepara e entende dias assim.


A natureza precisa de dias nublados, para dar um novo recomeço aos seus ciclos da vida. Para a manutenção de seu sistema. Ela sabe que nem todos os dias serão nublados e também espera os dias clareados apenas pelo sol. Afinal, há tempo para tudo.. e a natureza sabiamente nos apresenta este singelo sinal. Há tempo para calor, seca, chuva, flores, folhas secas, frio.. e dias nublados.



Mas não sei se todos nós estamos preparados para dias nublados.




27 de janeiro de 2015

A surpresa mais inesperada e o sim mais convicto



Costumo escrever aqui quando tô querendo encaixar algumas peças, encontrar as faltantes e trocar uma por outras.. até que todas estejam harmônicas, tenham sentido umas com as outras... É quando eu tô confusa, com minhoca na cachola, ou simplesmente extremamente emocionada. Hoje, este último é o motivo da minha vinda.
Tô radiante e querendo ilustrar esse grande acontecimento.

Ele se ajoelhou, fez o pedido com aqueles olhos brilhantes e eu, primeiramente calada e tentando fazer com que o tempo parasse naquele segundinho, disse sim ao príncipe da minha vida com os olhinhos completamente marejados.





Não a um príncipe como aqueles que a Disney insiste em que nós mulheres acreditemos.
Mas esse é o meu príncipe, o meu grande amor, cheio de imperfeições de tão humano.

Tô tão feliz que de fato, eu não consigo descrever o que eu realmente estou sentindo. É tão bom que é como nas primeiras conversas que tivemos, na descoberta um do outro.. e que na minha visão, desde esses instantes ele seria o homem da minha vida. E o mais louco que ele sentia o mesmo.
Logo eu, que não me imaginava vivendo isto naquele momento. Logo eu, que tinha tanto medo de me lançar e me machucar fatalmente outra vez.
E ah, como não me arrependo um segundo por tudo o que aconteceu. Inclusive pelo início conturbado, antes de sermos namorados. Se não fosse nada disso, não estaríamos aqui hoje. Com uma ligação mais forte do que nunca.

 
É simples e complexo. É explosão e emoção.. Ansiedade, desespero.. O grande dia está cada vez mais perto.
É um grande passo para o maior que está por vir.
O mais belo é que nossa ligação é cada vez mais forte. Em meio a tantas dificuldades, a ponto de o destino dos dois estar completamente comprometido. Mas nunca separamos nossas mãos.
Já passamos por grandes dificuldades financeiras e conhecemos grandes defeitos um do outro, a parte feia e obscura que nunca enxergávamos no início do relacionamento e em meio a tantas explosões de sentimentos. Já choramos juntos, rimos até perder o ar.. cuidamos um do outro quando o outro estava doente. Nos doamos sempre, sem medir nada.

Por nada do que já vivemos nestes 4 anos nos abandonamos, nem sequer ficamos um dia sem nos falar por qualquer discussão. Não estou dizendo que é fácil e o quão perfeito nós somos.
Estou dizendo que esse sim é maduro para nós dois. Que já conhecemos um ao outro muito melhor e estamos mais convictos do que nunca do que queremos. Não que antes não sabíamos. Mas sabe quando "o tempo é esse?". Pois é, é esse e apesar de bastante surpresa e até um pouco estranha de me acostumar com essa nova palavra "noivos", tô mais feliz do que nunca. E feliz pelas pessoas que nos apoiam e que fazem parte de toda nossa história.

No coração, já temos sentimento e olhar de esposos. Mas nos guardamos e esperamos para viver tudo isso de fato e tudo o que Deus tem preparado para nós. E como Ele é bom...
Só agradeço e peço que aumente e torne constante a minha fé!



 


5 de janeiro de 2015

O que há por trás do espelho?



Fixa seus olhos no espelho próximo a janela na busca de reconhecer-se.
É atraída pela sensação de liberdade que a janela convida.
Fixa-se na tentativa de encontrar-se, enxergar-se, reencontrar-se.



E não é para contemplar a si mesma, mas sim para se reconhecer. Não quer se perder de si mesma. Quer continuar na busca pelo "Quem sou eu?".
Não é porque hoje é um dia especial. E não é porque algo está diferente fora da janela ou mesmo onde está.
Deve-se a seu interesse por seguir seus próprios mistérios, e as vezes, a tola tentativa de entender o sentido de tudo.
Simplesmente se deixa envolver pelo velho sentimento que a faz ser inconstante, sem tantos porquês. E segue...



Talvez a linha do tempo esteja correndo mais depressa dessa vez, tornando tudo mais intenso, causando turbulência e reavivando antigas dúvidas de onde veio e para onde quer ir.
"Tudo é vivo e tudo fala, em redor de nós, embora com vida e voz que não são humanas, mas que podemos aprender a escutar, porque muitas vezes essa linguagem secreta ajuda a esclarecer o nosso próprio mistério (...)" - Cecília Meireles
 
Talvez essa seja a subida mais escarpada que já sentiu. Pensa que a paciência é o dom para entrelaçar a sabedoria consigo, mas não sabe ao certo em que ponto ela está.  
Vai ficar assim por muito tempo, buscando uma visão que a mostre onde está e que vença a insistente resposta de que está ancorada em um lugar indefinido.

"... Liberdade, essa palavra que o sonho humano alimenta que não há ninguém que explique e ninguém que não entenda..." - Cecília Meireles



"Nós nunca descobriremos o que vem depois da escolha, se não tomarmos uma decisão. Por isso, entenda os seus medos, mas jamais deixe que eles sufoquem os seus sonhos." - Alice no País das Maravilhas.