
O que me levou a escrever hoje foi a vontade de fazer algo exclusivamente por mim, e a rosa dos ventos simboliza o momento da minha vida.
Há quanto tempo não me permitia ficar por alguns minutos assistindo alguns programas favoritos. To fazendo isso agora, e escrevendo aqui!É incrível curtir essas pequenas coisas da vida. E quantas voltas o mundo tem dado na minha, ultimamente. Coisas do tempo...
Mesmo em uma semana intensa de treinamento e provas diárias no trabalho, me permiti ficar aqui um pouquinho, com algo que é meu. Prometi a mim mesma esta noite que me permitiria isto de alguma forma. Todos os acontecimentos estão muito intensos, tenho vivido grandes momentos e aguardando ansiosamente pela chegada de outros. Ansiedade a mil, novas descobertas, novos desafios, alguns laços cortados, outros mais fortes do que nunca. Novas conquistas, outras decepções e ganhos. Cada vez mais busco afirmar aquilo que quero, e luto com todo meu sangue para conquistar e cada vez mais tenho mais combustível para continuar.
A questão é: o caminho.

Tava vindo embora pra casa, e amo voltar pra casa dirigindo na madrugada. É tão gostoso apreciar o vento, o cheirinho de terra molhada da chuva.. e claro, ouvindo músicas que amo. Dirigir assim me faz sentir livre. Tocou na rádio "Nada sei" do Kid Abelha. E o cheiro da chuva me fez lembrar o quanto essa música me marcou, engraçado não? Para mim é, principalmente pela minha visão de mundo no momento.
A primeira vez que eu ouvi essa música, ou pelo menos a que me lembro ter ouvido e ter feito sentido pra mim, foi quando era criança. Lembro como se fosse ontem o que senti.. Eu estava viajando com a minha família. Decidi levantar mais cedo naquele dia, ninguém havia acordado ainda (todos estavam mortos ou por ter bebido muito no dia anterior, ou por ter jogado baralho/jogo da vida/war/uno/imagem e ação/mercado imobiliário e outros lindos de infância), e eu simplesmente acordei. Coisa rara, pois sempre sou a última a acordar, e com muita insistência, rsrs.
Levantei e prontamente me troquei, com a ideia de que faria algo diferente. Vesti um vestido com girassóis amarelos, coloquei a coleira na biba, minha cachorrinha linda que me encheu de beijinhos alegres por ter me visto acordada e então fomos passear, sem que ninguém visse.
Levei comigo meu mp3 e um pouquinho de dinheiro. tirei os chinelos e decidi ir descalça até a praia. Decidi colocar na rádio pra ver o que tocava... e então:
"Nada sei dessa vida
Vivo sem saber
Nunca soube, nada saberei
Sigo sem saber
Que lugar me pertence
Que eu possa abandonar
Que lugar me contém
Que possa me parar
Sou errada, sou errante
Sempre na estrada
Sempre distante
Vou errando enquanto o tempo me deixar"
Voltei no tempo e me senti como aquela menina, aquela de coração livre quem tenho deixado de lado. Aquela que deixa o vento tocar o seu rosto, pensando no sentido da música.. e segue, sabendo que a errância faz parte da construção da significância da sua existência e humanidade. Que a busca por um lugar em que a pertença a mantêm na estrada..
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