É madrugada agora. Tô acordada há horas pensando nesse dia, com a sensação estranha de inutilidade, um dia que me parece não ter feito nada. Mas é uma injustiça comigo mesma, fiz de tudo o que pude, corri contra o tempo, engoli a comida, subi e desci escadas diversas vezes, no hospital, na faculdade. Um dia extremamente desgastante, se é que me entende. Eu acredito que possa entender. Depois de um dia daqueles, em que houve um emaranhado de palavras ditas e não ditas. E estou aqui, há horas sem conseguir dormir mesmo meu corpo implorando e precisando disso.
Como se cada ato ou olhar não compreendido refletisse em mim de uma forma gigantesca, porque reflete de fato. Como se eu estivesse amarrada pela verdade como uma âncora, ancorada num mar sem fundo. Assim foi hoje e acho que, muito provavelmente, continuará sendo amanhã também. E sabe de uma coisa muito louca e sem sentido? Desejo muito que continue exatamente assim. Sempre.
De um modo sutil, e de muito valor para mim, quero
entender minhas angústias, estou tentando revelar a minha mente sentidos que permeiam
nossa existência humana e éticas/profissionais, o que tem me angustiado demais ultimamente, mesmo sem diploma na mão. Tentei enxergar quem eu sou no espaço que eu ocupo. E é por tentar buscar isso, pensar muito nisso, que eu escrevo.
Às vezes, quase sempre, sinto um aperto no peito. Aperto que vem para dizer, falar e insistir nas certezas que duvido, o que eu já tô cansada de saber, mas que ainda não se concretizou por inteiro dentro de mim. É.. às vezes, quase sempre, fico cansada de saber.
"Então ela pede — Silêncio, por favor, enquanto esqueço um pouco a dor do peito —, tentando digerir a dor barulhenta que a atravessa. Ela tenta deixar o tempo passar para não se lembrar do que a deixou assim, tentando buscar uma pausa no espaço, algo que interrompa o tempo, fique lá esquecida, e não fique entrelaçada com ela. Ela até sonha que está fazendo isso de fato, sonha que está conseguindo deixar em uma pequena estrela na imensidão do universo. E então ela se lembra que o que a move não permite que ela se torne um misto de esquecimentos, de palavras que escondem o que sente, mas de coisas concretas e que constroem. Faz uma prece por uma amiga, irmã de alma, que passa por um momento MUITO delicado. Sofre muito com isso também. Queria poder fazer mais.
Ela está correndo atrás de muitos sonhos, principalmente o de ser livre. Essa é a esperança que a move. E ela sente no rosto o vento que entra pela janela, tocando leve, soprando no seu ouvido que ela pode continuar caminhando, ajudando-a enxergar e discernir quais direções existem nessa estrada."















